3° dia de academia





    Se alguém me perguntar.
    _ como foi o seu 3° dia de academia Diego? Eu de cabeça baixa, com os olhos longe ao horizonte, a respiração fluente diria. _ Eu não fui.
    A dor dos exercícios do dia anterior ainda esta aqui comigo. Sou o tipo de pessoa que odeia dores, sou do tipo de pessoa que anda comigo uma cartela de comprimidos de dor de cabeça para que quando (apenas sinto) que ela poça aparecer eu os tomo. Meus braços estão doendo tanto que não consigo levantá-los direito, essa seria a minha melhor justificativa ao cara que me da as dicas de como usar os aparelhos onde nesse momento se pergunta porque eu fui.
Repito que aqui não é a minha intenção incentivar ninguém, apenas é um desabafo, apenas seria um amigo imaginário a qual pudesse contar os meus problemas. Muitos de nós necessita de reconhecimento, para os leigos pode parecer a coisa mais simples do mundo, mas como cada um tem os seus problemas e seus objetivos, cada um decide pra si o que é importante e o que não é. Eu mereço que todos aos meu redor chegue em mim me parabenizando pela minha atitude em deixar de ser sedentário. Mas eu mereço? Isso é um mérito de aplausos e festas? Não. Acho que não é bem assim que as coisas funcionam, pelo menos por aqui. Acho que cada um não basta saber o que é melhor pra si mesmo, acho que cada um deve começar a parar de sonhar com aquilo que está em seu coração mas continua fraco na sua mente a qual é o gatilho para fazer as coisas acontecerem.
Meus braços estão doendo, e eu odeio dores. É como se eu tivesse brigado com alguém que eu mal conheço e decidi conviver (academia), e essa pessoa me fez mal e hoje eu decide não ir ver ela. Menino mimado sou eu. Mas comigo acontece algo pior, a desistência fácil, que chega no meio da noite silenciosamente, que quando me pega me destrói como um vulcão em erupção.
Nesses dois dias, estava fazendo meu regime doido como eu. Água o dia inteiro, e na parte da tarde um Club social sabor bacon, a noite quando chegava do serviço preparava um caldo com água e caldo quinor em uma proporção de uns 2 copos, alguns pedaços de frango e 3 colheres de arroz. Depois de alguns temperos, colocava uma colher de amido de milho dissolvida em água para engrossar dando um ar de sopa para ressuscitar cadáver. Eu vi, no meio do preparo da sopa um pote a qual parecia ter sido aberto a pouco tempo de doce de leite. Eu sábia que eu não poderia chegar perto dele ou não deveria. E depois de ter jantado minha sopa, fumado meu cigarro, terminado de ler algumas páginas de um livro já deitado na cama, eu peguei no sono e dormi. Foi quando o bicho papão, o inimigo da madrugada chegou e me acordou, me empurrando diretamente a geladeira com a desculpa de que eu precisasse beber água onde me fez desesperadamente contra a minha vontade comer quase metade do pote de doce de leite. Depois de ter engerido aquela maravilhosa consistência goela abaixo, eu me deitei com tanta dor na consciência que as dores dos meus braços não foram suficientes para igualar ou me distrair.
A sensação de impotência a qual nos gordinhos sentimos é essa. É essa desastrosa maneira de achar que podemos quando queremos, mas não conseguimos, quando tentamos. Hoje estou triste por muitas coisas que faço e não e não vejo futuro. Queria que minha mente fosse tão forte quanto minha vontade de comer. Queira que as minhas atitudes não chegasse nas pessoas que eu conheço pois transpareço determinação, mas minhas ações não corresponde a isso. Uso o clichê de que sou humano, erro como qualquer um. Mas as vezes queria ser um cachorro, onde nada disso é tão importante quanto viver feliz em seu lar.
Nessas horas prefiro chorar calado, pois é horrível ouvir consolos de alguém dizendo. _Calma, você vai conseguir! _Quando em tudo isso não depende dos outros, somente de mim.
   Mas eu vou continuar, vou comer meu club social e minha sopa, e rezar para o monstro da madrugada não passar por aqui mais uma vez. 






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